Ontem, eu assiti um programa interessante na NETFLIX, Minimalistas. Uma filosofia de vida. E no meu entender, uma forma de viver mais inteligente e saudável para si próprio e para o mundo.
Engraçado que eu, particularmente, nunca fui consumista. E hoje, mais do que nunca, revejo vários pontos importantes da minha vida e, um deles, é essa forma de viver com menos.
Penso duas vezes antes de comprar qualquer coisa. Me questiono mentalmente: " Preciso mesmo disso? Isso é necessário e urgente? Quanto tempo isso será útil pra mim?" E acabo não comprando e ficando aliviada.
Desde que fiquei doente, eu olho pra tudo de forma diferente. Olho os inúmeros enfeites na minha casa, nos brinquedos e roupas dos meninos, nas minhas roupas e objetos pessoais, do meu marido e...fico assustada! Pra quê? Pra que tudo isso?
Se amanhã nós mudarmos de casa? Se algo acontecer de pior? Não tenho a menor duvida de que coisas pessoais que me apego tanto...irão para doação, venda ou lixo. Afinal, eu acredito que as minhas coisas são úteis só para mim. São realmente? Comecei a duvidar e ai...mergulhei no armário, na sapateira, no quarto de brinquedos e...desapeguei. Dei um carro cheio de coisas...e ainda, tenho mais objetos para desapegar. Resultado? Me senti tão leve...
Definitivamente, viver com menos é mais!
Menos tralha!
Menos roupa, sapatos, pulseiras, aneis, bolsas, quadros, livros, maquiagem, produtos variados...pra que? No final, eu percebi que uso quase sempre as mesmas roupas, os mesmos sapatos, bolsas e bijuterias. Já li aqueles livros três ou quatro vezes...por que não doar? E dar a oportunidade de outras pessoas também terem aqueles conhecimentos? Afinal, se amanha acontecer algo...tudo que hoje adio e nego...fluirá, seguira o caminho, naturalmente!
Nessa "limpeza" encontrei roupas que guardei da minha mãe. Olhei, peguei e me despedi. Ela não está ali. Ela está nas minhas lembranças e coração, basta! Encontrei objetos que guardei do meu pai...fiz o mesmo. Segue fluxo!
Definitivamente, viver com menos é mais!
Mais importante disso tudo, é o exemplo para meus filhos! Aprender a viver de forma inteligente, natural, equilibrada e pensando no todo e não somente neles! Afinal a pergunta deve ser " que filhos deixaremos para o mundo?" e não o contrario!
quarta-feira, 29 de agosto de 2018
Paciência
Algum tempo atrás, eu assisti uma entrevista e depois li em algum lugar, que a depressão pode vir depois do tratamento. Verdade! Pode vir antes, durante e depois. Você pode achar estranho vir depois? Não. Nada estranho. Muito normal. Pois ao fim do tratamento, você percebe que nunca mais será a mesma pessoa. Tanto mental como fisicamente. O corpo pesa, está mais sacrificado, mais cansado e a sensação é de ter 100 anos e não 46 anos. O físico acaba arrastando o psicológico. Não conseguir mais fazer coisas simples, pois tudo doí e o oxigênio parece ser pouco, incomoda muito mais. Difícil para a compreensão daqueles que convivem conosco. A expressão de: " como assim? Você passou pelo tratamento. Agora é mole!" Não! Não é...buscar mais forças e motivos pra fazer as coisas...é bem mais complicado. Na verdade, boa parte dos dias a vontade é de não fazer nada. Isso é sintoma de depressão? Pode ser. Porém o meu jeitinho inquieto de ser...me joga pra fora da cama ou do sofá e...doí tudo. Não reclamo! Até pra não ser a "chata do mês" e nem ser ingrata com o Universo. Estar viva é um presentão. Melhor presente!
Então o que espero? Não espero compreensão e sim...tempo! Me dá um tempo...tempo pro meu corpo, pra minha cabeça e para meus novos limites!
A tristeza bate muitas vezes e alguns pensamentos ruins invadem a cabeça.
Sentir-se um fardo. Inútil. Peso... é tão comum!
O medo ronda!
A tal da estranheza está me olhando no espelho e algumas perguntas ficam sem respostas.
Por que? Pra que? Quando? O que fazer?
Todas ficam lá ...martelando! Martelando a noite inteira e o sono vai pra esquina.
O que escrever? Nem sei mais...queria ser positiva, mais uma vez, mas nesse exato momento é tanto sentimento, tanta coisa...que a lágrima é mais forte e foge.
Se tem uma coisa que aprendi com isso tudo é, paciência. Ter paciência comigo e com o mundo.
Se for possível diminuírem o passo, parar um pouco para eu descansar, ótimo. Iremos juntos! Se não for possível...eu fico. Vida que segue!
Não quero apertar meu passo, mas também não quero ficar jogada no sofá.
Tem dias que quero mais e outros que quero menos...
Ter dias...isso me basta!
terça-feira, 21 de agosto de 2018
Mais amor, por favor.
Essa semana, eu li uma postagem a respeito de uma mãe de uma menina de 8 anos que estava sofrendo bullyng na escola, porque sua mãe esta careca em tratamento quimioterapia. Como assim? A mãe vai ate a escola pra defender a filha, e sofre preconceito da Madre superiora da escola. Que concorda com os alunos dizendo que sua imagem assusta e agride aos demais. Oie? Quem assusta e agride mais nessa situação? A mãe careca em tratamento de uma doença seríssima? Ou alunos monstrinhos e desumanos? Ou uma freira desequilibrada e sem noção? Que mundo é esse?
A falta de humanidade, de respeito e amor ao próximo está nos levando a frieza das relações, anulação dos sentimentos humanos e a aproximação da barbárie. Pior do que o câncer é o monstro cruel disfarçado de seres humanos.
O mundo da voltas e as lições são feitas aqui mesmo! Ninguém está livre de doenças e dramas da vida. Ninguém... pode ser milionário, você vai morrer! Você vai sofrer! Se não for assim...então você não é gente.
Depois de já ter perdido um filho, meus pais, inúmeros parentes e amigos queridos, eu dei de cara com a morte. Estou em tratamento de um linfoma de hodgkins e sei bem o que é ter gente do bem e do mal por perto. Gente humana e monstros disfarçados. Para todos...a lei do retorno, existe, Acredite!
Não é desejar mal...é a realidade. Eu não preciso ficar triste, decepcionada com determinadas situações, isso só me faria mal. Não mudamos o outro...a vida ensina para aqueles que possuem sabedoria.
Já recebi diversos tipos de olhares: compaixão, carinho, tristeza, estranheza, deboche, alegria e amor. Assim é o ser humano!
Como reagir a isso? Olhando pra dentro de mim. Nada disso me retrata. Ninguém pode dizer como me sinto e o que penso...somente, eu. Então vou seguindo o meu caminho. Meu objetivo é claro, é único e meu foco está la...cura! O resto é só isso...resto.
Que essa mãe e sua filhinha da reportagem, estejam em paz e sigam com suas vidas unidas e aprendendo uma com a outra a importância da compaixão e do amor. Que a cura esteja com elas. Amem.
segunda-feira, 11 de junho de 2018
Recomeços
Nunca imaginei que começaria a escrever depois de tanto tempo por esse motivo...
Planejei escrever um livro em 2004 para homenagear a passagem do meu primeiro filho e não fiz. O tempo passou, muita coisa aconteceu, a vida se refez, o rio continuou a passar por baixo das pontes e os dias amanheceram e se foram, um após o outro...
Hoje, quatorze anos depois a vida me dá uma nova lição, uma segunda oportunidade de rescrever a minha historia. Então vamos a missão...
Não tenho a pretensão de servir de exemplo, de amparo, de referencia para o que for e nem pra ninguém. Minha única intenção é deixar meus pensamentos e sentimentos registrados para meus filhos, como se fosse um diário...daqueles antigos. Um dia, quem sabe, eles terão ou não o interesse de ler e saber um pouquinho mais, alem do que testemunharam, presenciaram e ouviram de mim mesma sobre a minha experiência de vida.
Quando criança, eu cresci acreditando na justiça da vida! Se eu fosse uma boa filha, irmã, neta, sobrinha, prima, amiga, esposa e mãe...nada de ruim, aconteceria. Não é assim... e descobri isso da pior forma. Coisas ruins acontecem, todos os dias e com todos! Isso é a vida! Da mesma forma que sorrimos, nós choramos. Cabe a cada um tentar ver o lado positivo das experiências vividas. Cabe a cada um tomar as suas próprias decisões em relação ao que aconteceu. Isso eu chamo de responsabilização.
Já dizia um dos filósofos que mais admiro: " Não importa o que fizeram com você, importa o que você fará com isso". Jean Paul Sartre.
Esse pensamento se aproxima muito daquilo que alguns chamam de religião e outros de filosofa de vida e, que eu, particularmente admiro e respeito profundamente: o Budismo. Dizer que sou budista? Estaria sendo atrevida. Prefiro dizer que sou estudiosa e curiosa do assunto. Sua pratica é a mais difícil e desafiadora que venho enfrentando alguns anos.
Prefiro dizer que sou ecumênica e aproveito um pouquinho de cada religião para fortalecer a minha fé em algo muito maior que tudo. Respeito todas e minha crença vai alem de um templo, de um pergaminho, de um livro, de uma imagem ou de palavras e pensamentos. Minha fé repousa na energia e na capacidade de recriar, reinventar, lutar e reagir. Minha fé baseia-se no sentimento mais nobre e grandioso : o Amor. E nesse sentimento, nessa relação cabe tudo que se é capaz de pensar e imaginar.
Foi com essa Fé que voltei pra vida de outra maneira. Com outra visão e entendendo que nada acontece sem um motivo, sem um pra que e vai alem do por que. Foi com base nessa Fé que acreditei na minha cura. Me agarrei a vida e luto todos os dias para mantê-la.
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