quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Paciência


Algum tempo atrás, eu assisti uma entrevista e depois li em algum lugar, que a depressão pode vir depois do tratamento. Verdade! Pode vir antes, durante e depois. Você pode achar estranho vir depois? Não. Nada estranho. Muito normal. Pois ao fim do tratamento, você percebe que nunca mais será a mesma pessoa. Tanto mental como fisicamente. O corpo pesa, está mais sacrificado, mais cansado e a sensação é de ter 100 anos e não 46 anos. O físico acaba arrastando o psicológico. Não conseguir mais fazer coisas simples, pois tudo doí e o oxigênio parece ser pouco, incomoda muito mais. Difícil para a compreensão daqueles que convivem conosco. A expressão de: " como assim? Você passou pelo tratamento. Agora é mole!" Não! Não é...buscar mais forças e motivos pra fazer as coisas...é bem mais complicado. Na verdade, boa parte dos dias a vontade é de não fazer nada. Isso é sintoma de depressão? Pode ser. Porém o meu jeitinho inquieto de ser...me joga pra fora da cama ou do sofá e...doí tudo. Não reclamo! Até pra não ser a "chata do mês" e nem ser ingrata com o Universo. Estar viva é um presentão. Melhor presente!
Então o que espero? Não espero compreensão e sim...tempo! Me dá um tempo...tempo pro meu corpo, pra minha cabeça e para meus novos limites!
A tristeza bate muitas vezes e alguns pensamentos ruins invadem a cabeça.
Sentir-se um fardo. Inútil. Peso... é tão comum!
O medo ronda!
A tal da estranheza está me olhando no espelho e algumas perguntas ficam sem respostas.
Por que? Pra que? Quando? O que fazer?
Todas ficam lá ...martelando! Martelando a noite inteira e o sono vai pra esquina.
O que escrever? Nem sei mais...queria ser positiva, mais uma vez, mas nesse exato momento é tanto sentimento, tanta coisa...que a lágrima é mais forte e foge.
Se tem uma coisa que aprendi com isso tudo é, paciência. Ter paciência comigo e com o mundo.
Se for possível diminuírem o passo, parar um pouco para eu descansar, ótimo. Iremos juntos! Se não for possível...eu fico. Vida que segue!
Não quero apertar meu passo, mas também não quero ficar jogada no sofá.
Tem dias que quero mais e outros que quero menos...
Ter dias...isso me basta!

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